LENDAS FOLCLÓRICAS E MITOS

 

 

REGIÃO NORDESTE

 

 

 

DIABINHO DA GARRAFA ; CABRA CABRIOLA ;QUIMBUNGO ; LOBISOMEM; CUCA; SACI PERERÊ ; CAPELOBO; ORIGEM DA MANDIOCA ;CAIPORA E CURUPIRA ; VAQUEIRO MISTERIOSO; MULA -SEM- CABEÇA; NEGRO D'ÁGUA ; BICHO-PAPÃO ;CABEÇA -DE -CÚIA; BICHO - HOMEM ; ALAMOA

 

 

E MAIS :

 

Alamoa
Anjo Corredor
Automóvel Encantado
Axuí
Biatatá
Cabeças Vermelhas
Cabra-Cabriola
Capelobo / Cupelobo
Carneiro Encantado
Cotaluna Flor-do-Mato
Gritador
Guajara
João Galafuz
Labatut
Lago Encantado de Grongonzo
Mingusoto
Num-Si-Pode
Ossonhe
Pai-do-Mato

 


 

 

 

 

Carro caído

 

O negro vinha da Aldeia Velha, servindo de carreiro. O carro tinha muito sebo com carvão nas rodas e chiava como frigideira. Aquilo não acabava nunca. Sua Incelência já reparou os ouvidos da gente quando está com as maleitas? Pois, tal e qual.

 

O carreiro era meu charapim: acudia pelo nome de João, como eu. Deitou-se nas tábuas, enquanto os bois andavam para diante, com as archatas merejando suor que nem macaxeira encroada. Levavam um sino para a Capela de Estremoz. Na vila era povo como abelha, esperando o brônzio para ser batizado logo. João de vez em quando acordava e catucava a boiada com a vara de ferrão: - Eh, Guabiraba!, eh, Rompe-Ferro, eh, Manezinho! Era lua cheia.

 

Sua Incelência já viu moeda de ouro dentro de uma bacia de flandres? Assim estava a Lua em cima. João encarou o céu como onça ou gato-do-mato. Pegou no sono, e o carro andando... Mas a boiada começou a fracatear, e ele quando acordava, zás! – tome ferroada! Os bois tomaram coragem à força. Ele cantou uma toada da terra dos negros, triste, triste, como quem está se despedindo. Os bois parece que gostaram e seguraram o passo.

 

Então ele pegou de novo no sono. Quando acordou, os bois estavam de novo parados. - Diabo! E tornou a emendá-los com o ferrão! A coruja rasgou mortalha. João não adivinhou, mas a coruja era Deus que lhe estava dizendo que naquela hora e carregando um sino para a casa de Nosso Senhor não se devia falar no Maldito. Gritou outra vez: - Diabo!

 

O Canhoto então gritou do inferno: - Quem é que está me chamando? João a modo que ouviu e ficou arrepiado. Assobiou para enganar o medo; tornou a cantar a toada, numa voz de fazer cortar o coração, como quem está se despedindo. Pegou ainda no sono uma vez. Se a luz da Lua escorrendo do céu era que nem dormideira! Quando acordou – aquilo só mandando! – a boiada estava de pé. - Diabo! O Maldito rosnou-lhe ao ouvido: - Cá está ele!

 

E arrastou o carro para dentro da lagoa com o pobre do negro, os bois e tudo. Estou que ele nem teve tempo de chamar por Nossa Senhora, que talvez lhe desse socorro. Mas ainda está vivo debaixo d’água, carreando... Sua Incelência já passou por aqui depois da primeira cantada do galo no tempo da Quaresma? Quando passar, faça reparo: - canta o carreiro, chia o carro, toca o sino e a boiada geme...

 

O BOI TATÁ

 

Diz a lenda que o Boitatá era uma espécie de cobra e foi o único sobrevivente de um grande dilúvio que cobriu a terra. Para escapar ele entrou num buraco e lá ficou no escuro, assim, seus olhos cresceram.

 

Desde então anda pelos campos em busca de restos de animais. Algumas vezes, assume a forma de uma cobra com os olhos flamejantes do tamanho de sua cabeça e persegue os viajantes noturnos.

 

Às vezes ele é visto como um facho cintilante de fogo correndo de um lado para outro da mata. No Nordeste do Brasil é chamado de "Alma dos Compadres e das Comadres". Para os índios ele é "Mbaê-Tata", ou Coisa de Fogo, e mora no fundo dos rios.

 

Dizem ainda que ele é o espírito de gente ruim ou almas penadas, e por onde passa, toca fogo no mato. Outros dizem que ele protege as matas contra incêndios.

 

A ciência diz que existe um fenômeno chamado Fogo-fátuo, que são os gases inflamáveis que emanam dos pântanos, sepulturas e carcaças de grandes animais mortos, que vistos de longe parecem grandes tochas em movimento.

 

Mboitatá é o gênio que protege os campos contra aqueles que os incendeiam; como a palavra diz, Mboitatá é: "Cobra de Fogo"; as tradições figuram-na como uma pequena serpente de fogo que normalmente reside nágua. Às vezes transforma-se em um grosso madeiro em brasa, chamado Méuan, que faz morrer por combustão quem incendeia inutilmente os campos.

 

Uma das lendas mais tradicionais do Rio Grande do Sul é a da Boitatá. Boi-tatá, cobra de fogo, chamava-se Boi-guassu, ou cobra grande. A lenda existe em todo Brasil, do norte ao sul. A Boi-guassu, quando houve o dilúvio, ou quando há inundações, ao ser acordada pela água, come todos os animais. No sul ela come apenas os olhos da carniça. Tantos olhos devora, que fica cheia da luz desses olhos.

 

O clarão vivo no qual se transforma é o Fogo-fátuo, ou Fogo-de-Santelmo. Ao viajante que a encontra resta ficar imóvel, de olhos fechados, sem respirar, então o Fogo-fátuo some. Mas, se o viajante o persegue, ele foge sem nunca ser alcançado. Quando o homem foge, Boi-tatá persegue-o, enloquece-o, e mata-o.

 

Nomes comuns: No Sul; Baitatá, Batatá, Boi-guassu, Bitatá (São Paulo). No Nordeste; Batatão e Biatatá (Bahia). Entre os índios; Mbaê-Tata, Mboitatá. Outros Países: Fogo de Santa-Helena, Víbora-de-fuego, etc.

 

Origem Provável: No Brasil, é de origem Indígena. Os negros africanos também trouxeram o mito de um ser que habitava as águas profundas, e que saía a noite para caçar, seu nome era Biatatá. O Fogo-fátuo é tema universal no folclore e em todos os países existem narrativas que tentam lhe dar nomes, torná-lo uma entidade fantástica, viva.

 

Diz Anchieta em sua carta: "Há também outros fantasmas nas praias, que vivem a maior parte do tempo junto do mar e do rios, e são chamados de Baetatá, que quer dizer, "Coisa de Fogo", o que é o mesmo como se dissesse "o que é todo de fogo". Não se vê outra coisa senão um facho cintilante correndo para ali; acomete rapidamente os índios e mata-os, como os Curupiras: o que seja isso, ainda não se sabe com certeza."

 

É um mito que sofre grandes modificações conforme a região. Em algumas, por exemplo, ele é uma espécie de gênio protetor das florestas contra as queimadas. Em outras, ele é causador dos incendios na mata. Uma versão conta que seus olhos cresceram para melhor se adaptar à escuridão da caverna onde ficou preso após um dilúvio; noutra ao procurar restos de animais mortos, come apenas seus olhos, assim absorve a luz e o volume dos mesmos, razão pela qual tem os olhos tão grandes e incandescentes.

 

Bicho - Homem

 

Características:

 

Suas características são as seguintes:

 

1. Muito Grande, muito forte,bastante feroz. 2. Com um olho só bem no meio da desta. 3. Têm apenas um pé, que forma no chão uma pegada redonda. 4.Tem dedos e unhas muito grandes. 5.É capaz de derrubar a murros e unhadas uma montanha, beber rios e transportar florestas. 6. Vive escondido em locais de muitas serras e vales. E é devorador de homens.

 

Cabeça de Cuia

 

A lenda do Cabeça de Cuia, assim como quase todas as lendas que fantasiam e atraem a imaginação do povo brasileiro, é contada de várias formas e possui várias versões, e a cada pessoa que a estória é passada, transmite-se novos fatores que acabam por afastar da realidade a verdade sobre a lenda. O Portal Cabeça de Cuia, após grande pesquisa, traz o relato mais próximo do que teria sido a maior das lendas do Piauí:

 

Crispim era um jovem rapaz, originário de uma família muito pobre, que vivia na pequena Vila do Poti (hoje, Poti Velho, bairro da zona norte de Teresina). Seu pai, que era pescador, morreu muito cedo, deixando o pequeno Crispim e sua velha mãe, uma senhora doente, sem nenhuma fonte de sustento. Sendo assim, Crispim teve que começar a trabalhar ainda jovem, também como pescador.

 

Um dia, Crispim foi a uma de suas pescarias, mas, por azar, não conseguiu pescar absolutamente nada. De volta à sua casa, descobriu que sua mãe havia feito para o seu almoço apenas uma comida rala, acompanhado de um suporte de boi (osso da canela do boi).

 

Como Crispim jazia de fome e raiva, devido à pescaria fracassada, enfureceu-se com a miséria daquela comida e decidiu vingar-se da mãe por estarem naquela situação. Então, em um ato rápido e violento, o jovem golpeou a cabeça da mãe, a deixando a beira da morte. Dizem, até mesmo, que de onde deveria sair o tutano do osso do boi, escorria apenas o sangue da mãe de Crispim.

 

Porém, a velha senhora, antes de falecer, rogou uma maldição contra seu filho, que lhe foi atendida. A maldição rezava que Crispim transformasse-se em um monstro aquático, com a cabeça enorme no formato de uma cuia, que vagaria dia e noite e só se libertaria da maldição após devorar sete virgens, de nome Maria.

 

Com a maldição, Crispim enlouquecera, numa mistura de medo e ódio, e correu ao rio Parnaíba, onde se afogou. Seu corpo nunca foi encontrado e, até hoje, as pessoas mais antigas proíbem suas filhas virgens de nome Maria de lavarem roupa ou se banharem nas épocas de cheia do rio. Alguns moradores da região afirmam que o Cabeça de Cuia, além de procurar as virgens, assassina os banhistas do rio e tenta virar embarcações que passam pelo rio.

 

Outros também afirmam que Crispim ou, o Cabeça de Cuia, procura as mulheres por achar que elas, na verdade, são sua mãe, que veio ao rio Parnaíba para lhe perdoar. Mas, ao se aproximar, e se deparar com outra mulher, ele se irrita novamente e acaba por matar as mulheres.

 

O Cabeça de Cuia, até hoje, não conseguiu devorar nem uma virgem de nome Maria. Em 2003, foi instituido pela Prefeitura Municipal de Teresina, o Dia do Cabeça de Cuia, para ser comemorado na última sexta-feira do mês de abril. ( http://www.cabecadecuia.com/a-lenda-do-cabeca-de-cuia.html)

 

 

Quimbungo

 

O nome quimbungo significa lobo em língua angolense.O Quimbungo pode aparecer com duas formas distintas , ou como um velho lobo, ou como um velho negro com barbas e cabelos grisalhos ,maltrapilho e faminto com a cabeça muito grande e um grande buraco no meio das costas que se abre quando ele abaixa e se fecha quando ele se levanta, segundo contam muitas pessoas esse ser costuma comer crianças ,ele pega a criança se abaixa para frente, e então coloca os meninos dentro da sua boca que fica nas costas

 

Quilombo dos Palmares

 

A partir do início do século XVII, os escravos que conseguiam fugir das fazendas e dos engenhos começaram a reunir-se em lugares seguros e ali ficavam vivendo em liberdade, longe de seus senhores. Estes lugares ficaram conhecidos por “quilombos” e seus habitantes, “quilombolas”.

 

Houve muitos quilombos no Brasil. O mais importante foi o “Quilombo de Palmares”, instalado na Serra da Barriga, onde hoje é o estado de Alagoas. Durou mais de sessenta anos e chegou a contar com uma população de vinte mil habitantes, o que era bastante para a época. Na verdade, era um quilombo formado de vários outros, organizados sob a forma de reino.

 

Quando houve a Invasão da Holanda, os diversos quilombos que o compunham foram reforçados, pois inúmeros escravos deixavam os lugares onde viviam e iam refugiar-se nos quilombos, aproveitando a ausência dos seus senhores, que também fugiam dos invasores. Enquanto os brasileiros e portugueses lutavam contra os holandeses, os fugitivos trataram de fortalecer os seus quilombos.

 

No princípio, para poder viver, os quilombolas praticavam assaltos às fazendas e povoados mais próximos. Pouco a pouco, foram-se organizando, cultivando a terra e trocando parte das colheitas por outras coisas de que precisavam. Durante o tempo em que brasileiros e portugueses estavam ocupados, combatendo os invasores, os negros viveram sossegados.

 

Logo, porém, que os holandeses deixaram de ser preocupação, os brancos começaram a combater os quilombolas. Apesar dos inúmeros ataques que realizaram, os brancos não conseguiram arrasar os quilombos, como era sua intenção. Os quilombos estavam bem reforçados, os negros eram corajosos e, ainda por cima, lutavam pela liberdade!

 

Por fim, o governo de Pernambuco solicitou a ajuda do bandeirante paulista Domingos Jorge Velho, que preparou uma expedição para derrotar os fugitivos. Também ele falhou nas primeiras tentativas, mas não desistiu. Organizou um exército realmente poderoso e voltou ao ataque. Mesmo assim, a resistência dos quilombolas foi tão grande, tão valente, que a luta durou perto de três anos.

 

Os negros tinham uma desvantagem: estavam cercados. Enquanto os atacantes podiam conseguir reforços e munições de fora, principalmente contando com o interesse do governo, os quilombolas encontravam-se sozinhos e apenas podiam contar com o que possuíam. É claro que, um dia, a munição dos sitiados tinha de se esgotar. Quando isto se deu, muitos negros fugiram para o sertão. Outros se suicidaram ou renderam-se aos atacantes.

 

A Morte de Zumbi

 

Segundo nos conta a tradição, logo no início da formação do quilombo, foi escolhido um rei: chamava-se Gangazuma. Habitava um palácio denominado Musumba, juntamente com seus parentes, ministros e auxiliares mais próximos. Organizara e mantinha sob seu comando um verdadeiro exército. Um dia, morreu Gangazuma. Os quilombolas ficaram tristes, mas a vida continuava e eles precisavam de um novo rei.

 

Elegiam vitaliciamente, um Zumbi, o senhor da força militar e da lei tradicional. Não havia ricos, nem pobres, nem furtos nem injustiças. Três cercas de madeira rodeavam, numa tríplice paliçada, o casario de milhares e milhares de homens. Ao princípio, para viver, desciam os negros armados, assaltando, depredando, carregando o butim para as atalaias de sua fortaleza de pedra inacessível.

 

Depois o governo nasceu e com ele a ordem; a produção regular simplificou comunicações pacíficas, em vendas e compras nos lugarejos vizinhos; constituiu-se a família e nasceram os cidadãos palmarinos. As plantações ficavam nos intervalos das cercas, vigiadas pelas guardas de duzentos homens, de lanças reluzentes, longas espadas e algumas armas de fogo. No pátio central, como numa aringa africana, o primeiro governo livre em todas as terras americanas.

 

Ali o Zumbi distribuía justiça, exercitava as tropas, recebia festas e acompanhava o culto, religião espontânea, aculturação de catolicismo com os rituais do continente negro. Vinte vezes, durante a existência, foram atacados, com sorte diversa, mas os Palmares resistiam, espalhando-se, divulgando-se, atraindo a esperança de todos os escravos chibateados nos eitos de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.

 

A república palmarina desorganizava o ritmo do trabalho escravo em toda a região. Dia a dia fugiam novos cativos, futuros soldados do Zumbi, com seu manto, sua espada e sua lança real. Debalde o Zumbi levou suas forças ao combate, repelindo e vencendo. O inimigo recompunha-se, recebendo víveres e munições, quando os negros, sitiados, se alimentavam de furor e de vingança.

 

Numa manhã, todo exército atacou ao mesmo tempo, por todas as faces. As paliçadas foram cedendo, abatidas a machado, molhando-se o chão com o sangue desesperado dos negros guerreiros. Os paulistas de Domingos Jorge Velho; Bernardo Vieira de Melo com as tropas de Olinda; Sebastião Dias com os homens de reforço – foram avançando e pagando caro cada polegada que a espada conquistava.

 

Gritando e morrendo, os vencedores subiam sempre, despedaçando as resistências, derramando-se como rios impetuosos, entre as casinhas de palha, incendiando, prendendo, trucidando. Quando a derradeira cerca se espatifou, o Zumbi correu até o ponto mais alto da serra, de onde o panorama do reino saqueado era completo e vivo. Daí, com seus companheiros, olhou o final da batalha.

 

Paulistas e olindenses iniciavam a caçada humana, revirando as palhoças, vencendo os últimos obstinados. Do cimo da serra, o Zumbi brandiu a lança espelhante, e saltou para o abismo. Seus generais o acompanharam, numa fidelidade ao Rei e ao Reino vencidos. Em certos pontos da serra ainda estão visíveis as pedras negras das fortificações. E vive ainda a lembrança ao último Zumbi, o Rei de Palmares, o guerreiro que viveu na morte seu direito de liberdade e de heroísmo...

 

Mandioca

 

Não existe apenas uma lenda para explicar o surgimento da Mandioca,más a mais conhecida é sobre uma menina índia que tinha o nome de Mani, era neta de um grande Cacique numa Tribo muito antiga.Num dia a Filha do Cacique apareceu grávida,o seu pai o Cacique logo lhe perguntou quem era o pai do seu filho,pois queria puni-lo devido ao costume de as mulheres casarem virgens.Mas a filha do Cacique lhe afirmava que era virgem, más o Cacique não acreditou na sua conversa, pensou então em matá-la no outro dia.

 

Porém ao dormir sonhou com um homem branco que lhe falou para não matar a sua filha pois ela estava falando a verdade. Após os nove meses nasceu uma menina muito bonita,mas havia algo estranho ela não era igual as outras crianças da Tribo pois ela era branca, o que causou muito espanto na Aldeia e em todas as Tribos da Região.

 

A pequena menina ganhou o nome de Mani e era muito desenvolvida para a sua idade,com menos de um ano já andava e falava, más não chegou a completar um ano de vida ela veio a falecer.Enterraram-na num jardim e todos os dias os índios da Aldeia iam visitá-la e choravam sobre a sepultura ,regando a terra, até que cresceu uma planta que nenhum índio conhecia,então resolveram cavar para ver que planta era aquela,tiraram-na da terra e ao examinar sua raiz perceberam que após a casca ela era branca igual a índia Mani,então logo pensaram que era o Corpo de Mani

 

Besta Fera ou Cabeça Satânica

 

Descrição: mistura do mito da Mula-Sem-Cabeça e Lobisomem. Não se sabe ao certo de onde sai essa criatura. Acredita-se que na verdade trata-se do próprio Demônio em pessoa, que sai das profundezas em noites de lua cheia e corre pelas ruas dos povoados e pequenas cidades, só parando quando chega no cemitério da cidade, quando simplesmente, desaparece. Seria um ser fantástico metade homem metade cavalo. O barulho dos seus cascos correndo é motivo mais que suficiente para as pessoas se trancarem em suas casas nesses dias.

 

Por onde passa, uma matilha de cachorros, e outros animais o acompanham numa algazarra infernal. Vez por outra ele açoita os cachorros e os ganidos são pavorosos. Quando ele pára na porta de uma casa, dá para ouvir sua respiração demoníaca e nessa hora, a pessoa deve rezar o "Credo" para que ele siga seu caminho. O animal que se atreve a chegar mais perto é açoitado sem piedade.

 

Origem Provável: É um mito muito semelhante à história do Lobisomem. Existe em todo Nordeste, mas é muito forte no interior do Estado de Pernambuco. A versão brasileira pode ter surgido na época colonial no estado de Pernambuco. A versão sul-americana, La Carreta del Diablo, mostra uma criatura semelhante, mas que é acompanhada por uma carroça fantasma.

 

Mito muito comum em todo meio rural do Nordeste. Existem várias versões parecidas em alguns países latino-americanos. Se a pessoa estiver na rua na hora que a Besta Fera for passando, o único modo de se proteger é empunhar um punhal de prata, ou um punhal comum abençoado. Assim, esse Demônio, não atacará a pessoa. Apesar de assustador, parece ser inofensivo às pessoas. Na verdade, sua única atividade, consiste em soltar todos os animais de canis ou currais que for encontrando pela frente. Algumas pessoas que deparam com ela, cara a cara, podem perder o juízo ou ficarem momentâneamente desorientadas. Nomes comuns: Quibungo, La Carreta del Diablo (Venezuela), El Macho Cabrio (Colômbia).

 

Caipora

 

Histórico: A lenda da Caipora é bastante evidenciada em todo o Brasil, está presente desde os Indígenas, é deles que surgiu este mito.Segundo muitas tribos,principalmente as do Tronco Lingüístico Tupi-Guarani, a Caipora era um Deus que possuía como função e dom o Controle e Guarda das Florestas,e tudo que existia nela.Com o contato com outras civilizações não - indígenas, esta divindade foi bastante modificada quanto a sua interpretação,passando a ser vista como uma criatura maligna. Com o passar dos tempos muitas pessoas ainda continuam a relatar sua aparição, isto se dá na maioria das vezes com pessoas no interior de matas,o local onde a caipora habita.

 

Características: As características variam, segundo as pessoas que já viram a Caipora, a impressão que se tem dela pode variar dependendo se a Caipora quer perturbar ou ajudar a pessoa: 1.Muitas pessoas afirma que a Caipora é um menino moreno , parecido com um indiozinho,olhos e cabelos vermelhos,possui os pés virados para trás.Outras pessoas dizem que ele parece com um indiozinho possui uma lança, um cachimbo,já outras pessoas o descreve igual aos modelos anteriores mais apenas um olho.

 

2.A Caipora tem o poder de ressuscitar qualquer animal morto sem sua permissão, para isso apenas fala para que o bicho ressuscite. 3.Por ser muito veloz as vezes as pessoas apenas vê o Caipora em alta velocidade, assemelhando - se a uma rajada de vento no mato. 4.Para entrar numa mata com permissão da Caipora, a pessoa deve levar sempre uma oferenda para ela, como um Pedaço de Fumo-de-Rolo,um Cachimbo

 

Curupira

 

Segundo a Lenda o Curupira é um Deus muito parecido com a caipora,com funções e domínios idênticos, ou seja as matas.O que difere é que o Curupira sempre se apresenta montado no seu Caititu(Porco selvagem),possui uma lança, arco e flechas , não possui os pés voltados para trás,utiliza para ressuscitar os bichos mortos sem seu consentimento sua lança, seu arco, ordem verbal e através do contato do focinho do Caititu.

 

Senhor do Corpo Santo

 

A Igreja de São Pedro Gonçalves ou do Corpo Santo, no Recife, foi demolida em outubro de 1913. Era igreja velha, já no tempo dos holandeses. Todas as relíquias, objetos do culto, alfaias, púlpitos, colunas, foram guardados na Igreja da Madre de Deus. E veio também o Senhor do Corpo Santo, imagem impressionante do Senhor Bom Jesus dos Passos, alto, sombrio, macerado, com as manchas roxas de sangue coagulado, assombroso pela naturalidade e grandeza trágica.

 

Outrora o Senhor do Corpo Santo, na procissão soleníssima dos Sete Passos, saía da sua igreja, na antepenúltima quinta-feira da Quaresma, para o Convento do Carmo, e daí regressava, com acompanhamento, cumprindo um ato litúrgico, que não está nos rituais, mas vivia na praxe secular. Era a imagem mais sugestiva e possuidora das admirações populares.

 

Ninguém sabe quem a esculpiu nem a época em que apareceu. Dizem que, numa noite de frio e chuva áspera, clareada de relâmpagos e sonora de trovões, pleno fevereiro de inverno recifense, o frade leigo que estava como porteiro no Convento do Carmo ouviu bater repentinamente à porta. Abriu-se e deparou um velhinho encharcado, humilde, trêmulo, com uma voz extremamente doce e triste, suplicando agasalho por uma noite.

 

O porteiro, zangado com o atrevimento, recusou hospedagem e mandou-o dormir na rua ou debaixo das pontes. E fechou o portão. O velhinho lá se foi, cambaleando, arrimado a um bordão, até a igreja de São Pedro Gonçalves, onde bateu. O porteiro-sacristão atendeu. Novo pedido, com voz expirante. O porteiro, compadecido, fez o velho entrar, deu-lhe o que comer e com que se enxugar, e indicou um recanto na sacristia onde poderia agasalhar-se e dormir, em cima de um colchão. Pela madrugada, o sacristão foi acordar o velho, levando uma esmola de despedida.

 

Não o encontrou. Enchia o colchão uma maravilhosa imagem do Senhor Bom Jesus dos Passos, vestida de seda lilás, com resplendor de prata, tão rica, imponente e poderosa de semelhança divina, que o sacristão dobrou os joelhos, contrito. Quando se espalhou o sucesso, verificado pelo povo que o velhinho fora o próprio Senhor do Corpo Santo, os frades do Carmo penitenciaram-se, sem culpa maior, pela falta de hospitalidade manifestada pelo irmão leigo da portaria.

 

E como o Senhor do Corpo Santo procurara primeiramente o Convento do Carmo, alegaram que tinham direito à posse da imagem. Os padres da Igreja de São Pedro Gonçalves retrucaram, e o caso foi a juízo, com debatido, longo e verboso processo, tornados tão volumosos os tomos da demanda, que eram transportados num jumentinho.

 

Mas a Igreja de São Pedro Gonçalves ganhou o pleito, cedendo apenas ao Convento do Carmo a honra de hospedar o Senhor do Corpo Santo por uma noite, a noite que fora recusada ao velhinho misterioso e de fala triste. A Igreja do Corpo Santo, outrora rutilante de luzes, desapareceu, arrasada pelos engenheiros que desejavam ampliar a cidade. A Igreja da Madre de Deus maternalmente acolheu o Senhor do Corpo Santo numa de suas salas.

 

E lá continua, sem mais ter volvido a cumprir a tradicional visita ao Convento do Carmo. Se o olhar, sombrio na majestade do seu sofrimento e de sua solidão litúrgica, reze três “ave-marias”, uma delas por mim. Amém.

 

Diabinho da Garrafa

 

Também conhecido como Famaliá, Cramulhão,Capeta da Garrafa, entre outros nomes,este ser é fruto de um pacto que as pessoas afirmam que se pode fazer com o diabo,este pacto consiste na maioria das vezes de uma troca, a pessoa pede riqueza em troca dá a alma ao diabo.

 

Após feito o pacto a pessoa tem que conseguir um ovo que dele nascerá um diabinho de 15cm à aproximadamente 20cm, más não se trata de um simples ovo de galinha, e sim um ovo especial,fecundado pelo próprio diabo.

 

CARACTERÍSTICAS:

 

Segundo muitos o Diabinho da Garrafa tem as seguintes características:

 

1.Nasce de um ovo(em algumas Regiões do Brasil acredita-se que ele pode nascer de uma galinha fecundada pelo diabo),noutras Regiões acreditam que ele nasce de um ovo colocado não por galinha e sim por um galo, este ovo seria do tamanho de um ovo de codorna.

 

2.Para conseguir tal ovo, a pessoa deve procurá-lo durante o período da quaresma , e na primeira sexta feira após conseguir o ovo, a pessoa vai até uma encruzilhada ,00:00h meia noite ,com o ovo debaixo do braço esquerdo,após passar o horário retorna para casa e deita-se na cama.No fim de 40 dias aproximadamente , o ovo é chocado e nascerá o diabinho.

 

3. Com o diabinho , a pessoa coloca-o logo na garrafa e fecha, bem fechado, com o passar dos anos o diabinho enriquece o seu dono, e no final da vida leva a pessoa para o inferno.

 

Cidade Encantadora de Jericoara

 

Alguns habitantes da cidade de Jericoacoara, no Ceará, afirmam que, debaixo do morro do farol local, existe uma cidade encantada, onde mora uma linda princesa.

 

Perto da praia, quando a maré está baixa, há uma furna onde só se pode entrar agachado. Esta furna de fato existe. Só se pode entrar pela boca da caverna, mas não se pode percorrê-la, porque, está bloqueada por um enorme portão de ferro. A cidade encantada e a princesa estariam além daquele portão. A encantadora princesa está transformada, por magia, numa serpente de escamas de ouro, só tendo a cabeça e os pés de mulher.

 

De acordo com a lenda, ela só pode ser desencantada com sangue humano. Assim, no dia em que alguém for sacrificado junto do portão, abrir-se-á a entrada para um reino maravilhoso. Com sangue será feita uma cruz no dorso da serpente, e então surgirá a princesa com toda sua beleza, cercada de tesouros inimagináveis, e a cidade com suas torres douradas, finalmente poderá ser vista.

 

Então, o felizardo responsável pelo desencantamento, poderá casar com a princesa cuja beleza é sem igual nesse mundo. Mas, como até hoje não apareceu ninguém disposto a quebrar esse encanto, a princesa, metade mulher, metade serpente, com seus tesouros e sua cidade encantada, continuam na gruta a espera desse heroí.

 

Origem Provável: Europa e Ásia, onde há relatos muito antigos de vários povos que falam de cidades encantadas, onde moram reis e princesas, outras vezes raças de inteligência superior. Vinda da Europa, pelos espanhóis, havia a lenda que falava de um lugar maravilhoso que poderia estar oculto nas florestas virgens da América do Sul, onde as pessoas viviam eternamente. Se alimentariam da água da Fonte da Juventude eterna. Também os espanhóis acreditavam existir uma fenomenal cidade subterrânea com tesouros fabulosos, nas montanhas dos Andes, seu nome seria Cibola.

 

No estado de Pernambuco, na cidade de Serra Talhada, antiga Vila Bela, existe uma lenda parecida que também fala de uma gruta encantada onde mora uma princesa serpente. Outros afirmam que esta gruta, seria na verdade o Reino de Pedra Bonita, que ficava no sítio de Pedra Bonita, na mesma cidade, e onde viveu um povo muito místico e cruel.

 

Conta a lenda que para manter o reino encantado e oculto das vistas de curiosos, os habitantes locais sacrificavam crianças cujo sangue puro, mantinha sua invisibilidade. Se isto não fosse feito, o reino se desencataria e se tornaria visível. Naquele reino existiria uma fabulosa mina encantada de diamantes. Nomes comuns: O Reino Encantado, O Reino de Pedra Bonita.

 

Papa-figo

 

Descrição: Parece mais com uma pessoa comum ou algumas vezes, pode parecer um velho esquisito que carrega um grande saco às costas. Na verdade, ele mesmo pouco aparece. Prefere mandar seus ajudantes em busca de suas vítimas. Os ajudantes por sua vez, usam de todos os artifícios para atrair as vítimas, todas crianças claro, tais como; distribuir presentes, doces, dinheiro, brinquedos ou comida. Eles agem em qualquer lugar público ou em portas de escolas, parques, ou mesmo locais desertos.

 

Depois de atrair as vítimas, estas são levadas para o verdadeiro Papa-Figo, um sujeito estranho, que sofre de uma doença rara e sem cura. Um sintoma dessa doença seria o crescimento anormal de suas orelhas. Diz a lenda, que para aliviar os sintomas dessa terrivel doença ou maldição, o Papa-Figo, precisa se alimentar do Fígado de uma criança.

 

Feito a extração do fígado, eles costumam deixar junto com a vítima, uma grande quantia em dinheiro, que é para o enterro e também para compensar a família. Origem: meio rural. Acredita-se que a intenção do conto era para alertar as crianças para o contato com estranhos, como no conto de Chapéuzinho Vermelho.

 

Saci Pererê

 

O mito do Saci é um dos mais difundidos no Brasil, segundo muitos autores, o Saci seria uma Divindade de origem Indígena (dos primeiros índios a manterem contato com os Portugueses, portanto do Tronco Lingüístico Tupi-Guarani), na função desta divindade era o controle, sabedoria e manuseios de tudo que estava relacionado as plantas Medicinais, como Guardião das sabedorias e técnicas de preparo e uso de chás,concentrados e outros medicamentos feitos a partir de plantas.

 

Como suas qualidades eram as da Farmacopéia , também era atribuída a ele o domínio das matas onde guardava estas ervas sagradas, e costumava confundir as pessoas que não pediam a ele a autorização para a coleta destas ervas.

 

CARACTERÍSTICAS:

 

1.Não se tem muito conhecimento sobre a origem da atual aparência do Saci, sabe-se que é representado como sendo um negrinho de uma perna só ,com uma carapuça vermelha,que fuma um cachimbo .

 

2.Seu principal divertimento é atrapalhar as pessoas para se perderem.

 

3.A maneira para espantar o Saci é chamando-o pelo seu nome.

 

 

Mula-Sem-Cabeça

 

A Mula-sem-Cabeça é uma lenda de origem pouco conhecida,é evidenciada em todo Brasil,onde sofre alguma modificações, principalmente no nome,passando a ser chamada por exemplo de: Mulher de Padre,Mula de Padre,Mula Preta,etc.

 

Não se sabe ao certo como surgiu o primeiro caso,porém segundo pesquisadores seria resultado de uma maneira de pensar,comportar-se e agir tipicamente relacionado a Igreja Católica, pois na sua origem (do ser) a criatura seria o resultado de um pecado (aos modos ,costumes,princípios,e condutas da Igreja Católica),pois era o resultado que acontecia com todas as mulheres que mantivessem uma relação amorosa com um padre(fiel representante de Cristo na Terra, segundo a Igreja Católica).

 

Podemos deduzir segundo muitos estudos sobre esta lenda , que as mulheres que freqüentavam igrejas nunca poderiam ver o Padre como um homem, e sim como uma "criatura especial" quase um Santo, pois estava se mantendo e vivendo para pregar a palavra de Jesus Cristo ,Deus,e Santos, e caso alguma mulher pensasse em namorar com um Padre saberia que viraria uma Mula-sem-Cabeça.

 

CARACTERÍSTICAS:

 

Segundo muitas pessoas a Lenda da Mula-Sem-Cabeça trata-se de uma verdade, muitas pessoas juram já ter visto a criatura, segundo essas pessoas a Mula -Sem-Cabeça tem as seguintes características:

 

1.É um mula,de cor marrom ou preta. 2.Não apresenta cabeça ,no lugar apenas fogo. 3.Possui em seus cascos ferraduras que podem ser de aço ou prata, 4.Seu relincho é muito alto que pode ser ouvido por muitos metros, e é comum gemer como um ser humano 5.Ela costuma aparecer somente durante a noite, e principalmente quinta/sexta ainda mais se for noite de Lua Cheia. 6.Segundo a Lenda existe duas maneiras de acabar com o encantamento que fez a mulher virar Mula-Sem-Cabeça, a primeira consiste em uma pessoa arrancar o cabresto que ela possui,a outra forma é furá-la tirando sangue(uma gota no mínimo com um alfinete virgem(que nunca foi usado).

 

Lobisomem

 

Segundo a Lenda ,o Lobisomem é um ser que seria resultado de uma Reza poderosa feita numa noite de sexta feira ,de preferência de Lua Cheia num estábulo ou cocheira de burro ou cavalo,no qual a pessoa rola no local como se fosse o animal ,dizendo a reza e é feita como pacto com entidades malignas .

 

Em algumas Regiões a transformação em Lobisomem acontece numa noite de sexta-feira sempre meia noite numa encruzilhada , onde repetindo os atos de um cavalo rolando no chão,a pessoa transforma-se.

 

O Lobisomem seria a fusão do lobo com o homem.Muitas histórias são contadas sobre este ser.No Brasil é comum em todos os Estados ,principalmente nas localidades da Zona Rural,onde é muito comum as pessoas afirmarem que já o viram ,que também passa a ser um mistério para quem vê e quem ouve a história.E segundo a grade maioria das pessoas que relatam encontros ocasionais com estas criaturas afirmam o seguinte:

 

Características

 

1.O Lobisomem é assim chamado por ser uma "mistura" de um lobo com um homem.Possui todo seu corpo parecido com um lobo :coberto por pelos, unhas grandes,focinho,dentes grandes e rabo,porém a estatura é de um homem.

 

2.Anda sobre quatro patas(como um lobo,e até uiva), e chega a equilibrar-se sobre duas patas assemelhando-se a postura de um homem.

 

3.Ataca quem encontrar no caminho, muito difícil escapar dele pois é muito veloz.

 

4.Muito valente,consegue desarmar uma pessoa com um facão ,pedaço de porrete ou algo grande que possa ser utilizado contra ele.Porém devido as suas unhas grandes torna-se inofensivo perante armas brancas muito pequenas (facas,punhais,canivetes ) , pois não consegue pegá-la.

 

5.O Lobisomem seria o sétimo filho homem de um casal (sete é um número considerado por muitos como um número de azar),ou uma pessoa muito esquisita, com costumes estranhos ,de características peculiares( uma pessoa que apresente características como barba muito grossa ,muito cabelo no corpo, sobrancelhas que se juntam , dentes grandes e etc.)

 

6. Para matar um Lobisomem as pessoas acreditam que qualquer arma é capaz do feito, entretanto uma norma deve ser seguida, se a pessoa quiser que o Lobisomem morra com a aparência de Lobisomem, deve dizer após a sua morte que matou um bicho, mais se quiser saber a verdadeira identidade do Lobisomem,deve dizer que matou um homem.

 

Vaqueiro Misterioso

 

Muito comum por todo o interior do Brasil, principalmente na Localidades que tem fortes tradições no Ciclo do Gado.Esta Lenda relatada por muitos vaqueiros ,onde o Vaqueiro Misterioso sempre aparece para participar das competições de derrubada de boi, corrida de argolinha, entre outras competições de montaria.Ele sempre é descrito como um vaqueiro velho,mal vestido com um cavalo velho e fraco,participa e ganha todas as competições e quando alguém procura por ele para saber de onde ele veio ,ele acaba sumindo sem deixar nenhuma pista.

 

Negro d'água

 

Esta é a História bastante comum entre pessoas ribeirinhas , principalmente na Região Centro Oeste do Brasil,muito difundida entre os pescadores, dos quais muitos dizem já ter o visto. Segundo a Lenda do Negro D'Água, ele costuma aparecer para pescadores e outras pessoas que estão em algum rio.

 

Não se há evidências de como surgiu esta Lenda,o que se sabe é que o Negro D'Água só habita os rios e raramente sai dele, sua função seria como amedrontar as pessoas que por ali passam, como partindo anzóis de pesca, furando redes dando sustos em pessoas a barco,etc.

 

CARACTERÍSTICAS

 

Suas características são muito peculiares, ele seria a fusão de homem negro alto e forte, com um anfíbio Apresenta nadadeiras como de um anfíbio,corpo coberto de escamas mistas com pele.

 

Barba-ruiva

 

Descrição: Eis uma lenda sobre a Lagoa de Paranaguá no Piauí. Dizem que ela era pequena, quase uma fonte, e cresceu por encanto. Foi assim:

 

Vivia uma viúva com tês filhas. Um dia, a mais moça das filhas dela adoeceu, ficando triste e pensativa. Estava esperando menino e o namorado morrera sem ter tempo de casar com ela. Com vergonha, descansou a moça nos matos e, deitou o filhinho num tacho de cobre e sacudiu-o dentro da pequna fonte de água. O tacho desceu e subiu logo, trazido por uma Mãe-d'agua, que com raiva, Amaldiçoou a moça que chorava na beira.

 

As águas foram subindo e correndo, numa enchente sem fim, dia e noite, alagando tudo, cumprindo uma ordem misteriosa. Ficou a lagoa encantada, cheia de luzes e de vozes. Ninguém podia morar na beira porque, a noite inteira, subia do fundo dágua um choro de criança. O choro parou e, vez por outra, aparecia um homem moço, muito claro, com barbas ruivas ao meio dia e com a barba branca ao anoitecer.

 

Muita gente o viu e tem visto. Foge dos homens e procura as mulheres que vão bater roupa. Agarra-as só para abraçar e beijar. Depois, corre e pula na lagoa, desaparecendo. Nenhuma mulher bate roupa ou toma banho sozinha, com medo do barba ruiva. Se um Homem o encontra, fica desorientado. Mas o Barba Ruiva não ofende ninguém. Se uma mulher atirar na cabeça dele água benta e um rosário sacramentado, ele será desencantado. Barba Ruiva é pagão, e deixa de ser encantado sendo cristão. Como ainda não nasceu essa mulher valente para desencantar o Barba Ruiva, ele cumpre sua sina nas águas da lagoa.

 

Origem Provável: Estado do Piauí, nos arredores da lagoa de Paranaguá, desde o século XIX. Por volta de 1830, já era conhecida. Dizem que ele foi criado pela Iara, sendo então filho da Mãe d'agua. Outras versões dizem que, de dia ele aparece como um menino à beira da lagoa, à tarde como um rapaz de barba ruiva e à noite um senhor de barba branca.

 

Algumas vezes fica dormindo à margem do lago e, quando alguém se aproxima ele pula na água e some. No Rio Parnaíba, também no Piauí, existe o Cabeça de Cuia, uma espécie de Barba Ruiva. Este no entanto, é mais radical e além de atacar moças à beira do rio, devora-as vivas.

 

No rio São Francisco existe a lenda da moça que atirou o recém-nascido ao rio. Um Dourado (espécie de peixe), abocanhou-o sem o engolir. E sobe e desce o rio, com o menino na boca, deixando-o apenas para comer, e defendê-lo dos outros peixes. O Menino não cresce mas está com os cabelos brancos. Nomes comuns: Barba Ruiva, Urué, Barba Nova, Cabeça Vermelha.

 

BICHO-PAPÃO

 

Esta lenda diz que , há muitos anos atrás , havia um feiticeiro que fazia magia com os corpos das crianças travessas das aldeias .

 

Primeiro , em plena luz do dia , ele sempre aparecia no lugarejo , com um saco nas mãos para observar as crianças rebeldes .

 

Á noite , por causa de um feitiço que foi jogado contra ele , este homem virava uma criatura horrenda . Assim , neste formato , ele invadia a casa da criança travessa para rouba – la . Daí , vem o seu apelido de Bicho – Papão .

 

Diz a tradição , que o feiticeiro pegava as crianças mais peraltas , porque , segundo a magia , os travessos tinham mais energia que os comportados .

 

Capelobo

 

Lenda muito comum na Região dos Rios do Pará e também no Maranhão. O nome Capelobo é uma fusão com um nome de significado possivelmente indígena, onde Capê(osso quebrado,torto ou aleijado) + Lobo .

 

Características

 

O Capelobo pode aparecer com duas formas distintas:

 

Forma de animal:

 

Aparece como uma anta, porém com características mais distintas, é maior que uma anta comum,é mais veloz, apresenta um focinho mais parecido com o de um cão ou porco, e longos cabelos.

 

Forma Humana:

 

Aparece com o corpo metade homem , com focinho de tamanduá,e corpo arredondado. Costuma sair a noite , rondando as casas e acampamentos que ficam dentro das florestas, costuma apanhar cães e gatos recém nascidos,mas quando captura um animal maior ou um homem ,ele quebra o crânio e come o cérebro , ou bebe o sangue.Só é morto com um ferimento no umbigo.

 

Cabeça -de- Cuia

 

Esta lenda é muito comum no rio Parnaíba, Estado do Piauí.

 

CARACTERÍSTICAS:

 

Segundo muitas pessoas este ser têm a aparência de um homem alto, magro, com cabelos grandes sobre a cabeça em forma de cuia (daí o nome de Cabeça - de -cuia). Devora de sete em sete anos uma mulher chamada Maria e também meninos que nadam no rio Parnaíba. Torna-

 

O Vaqueiro Voador

 

Havia uma cidade pequena, porém muito bonita. Era um lugar próspero, de fazendeiros, de vida feliz e sossegada. Certa manhã, um bando de cangaceiros chegou de repente ao lugar. Foi um alvoroço. Num instante, a população desapareceu das ruas. As janelas se fecharam e as portas se trancaram.

 

O chefe dos cangaceiros bateu na porta da casa mais rica da cidade. Como não tinha outro jeito, o dono da casa veio saber o que ele desejava. - Nós não queremos fazer mal a ninguém, disse o chefe dos cangaceiros. Estamos precisando de mantimentos e sabemos que aqui há bastante. Ainda sobrará muito para vocês.

 

O fazendeiro prometeu que conversaria com outros homens ricos do lugar, a fim de conseguir a quantidade que o cangaceiro desejava. O cangaceiro concordou em esperar até o dia seguinte. Tudo deu certo, os mantimentos foram entregues e o bando tratou de partir. O que os cangaceiros não sabiam era que o fazendeiro aproveitara para lhes preparar uma cilada. Combinara com seus amigos para atirarem neles pelas costas, quando estivessem de partida. E assim foi feito.

 

Mal os cangaceiros deram as costas, várias janelas se abriram, surgindo uma porção de espingardas. Muitos cangaceiros caíram mortos e o resto fugiu em disparada. O chefe deles ficou louco da vida. Enquanto ele cumpria sua palavra de não fazer nenhum mal aos habitantes, o fazendeiro lhe fizera tamanha traição!? Mas não ia ficar assim. O traidor e seus amigos que esperassem. A vingança não tardaria.

 

Os meses foram passando e o fazendeiro não perdia oportunidade de se vangloriar de sua esperteza. Ele estava almoçando sossegadamente, quando ouviu um tiroteio e uma gritaria tremenda. Correu para a rua. Eram os cangaceiros. Tinham se organizado de novo e estavam de volta para a vingança. Trancou a porta o melhor possível e transmitiu as novidades à sua família, que estava apavorada.

 

Nisto, a porta da casa foi violentamente sacudida e logo veio abaixo. Os cangaceiros entraram de espingarda na mão e o fazendeiro caiu de joelhos: - Por favor, não me matem! Fiz aquilo sem pensar! O chefe dos cangaceiros olhou-o, com desprezo: - A morte é pouca vingança para o que você fez. Tem de sofrer mais, muito mais!

 

O fazendeiro tinha dois filhos gêmeos, de três anos, e vendo-os, o cangaceiro teve uma idéia: - Vamos ver se você é homem! Escolha! Ou você vai com a gente para a caatinga, onde receberá o que merece, ou entrega um de seus filhos para que ele se torne um cangaceiro. Pela cabeça do fazendeiro passaram as terríveis torturas que o aguardavam. Olhou para os gêmeos, Lucídio e Deodato, suou, pensou e resolveu:

 

- Leve um dos meus filhos. A mãe agarrou-se às crianças, mas de nada adiantou. Os cangaceiros pegaram um dos meninos e saíram. O chefe deles gritou da porta: - Você vai sofrer a vida inteira, sabendo que seu filho está sendo transformado num homem igual àqueles que foram traídos por você. Um homem tão importante, com um cangaceiro na família! Já pensou? Foram embora levando o Lucídio.

 

A profecia do cangaceiro realizou-se rapidamente. O caso correu de boca em boca e ninguém queria saber mais do fazendeiro. Que homem era aquele? Entregar um filho para salvar a própria pele! Mesmo sua mulher não tinha mais coragem de olhá-lo no rosto. E ele sofria. Seu filho que ficara, o Deodato, também já não era o mesmo. Escapava dos braços do pai, vivia agarrado à saia da mãe. De vez em quando, não agüentando mais aquela tortura, o fazendeiro explodia:

 

- Que culpa tive eu? Havia outra solução? Sei que o menino está vivo! E eu? O que teriam feito comigo? A mulher nada respondia. Baixava a cabeça e chorava. E o tempo foi passando. Para a população, o caso já era fato esquecido, mas nunca haveria de ser para o fazendeiro e sua mulher. Deodato, agora com catorze anos, não mais se lembrava. Sabia do caso por ouvir contar.

 

Embora o fazendeiro, muito envelhecido pelo sofrimento, quisesse fazer do filho o seu sucessor, o mocinho não concordava. Desejava ser vaqueiro, atravessar aquelas caatingas, correndo atrás do gado, conhecer novos lugares, dormir à luz das estrelas. E, realmente, tornou-se um vaqueiro, aumentando ainda mais, sem querer, o desgosto do velho. Tornou-se tão bom vaqueiro, que sua fama correu por toda a região. Não havia cavaleiro igual.

 

Uma noite, quando ele dormia na caatinga, teve um sonho esquisito que o deixou preocupado. Sonhou com um velho vaqueiro, de pele curtida pelo sol e vestido com a indispensável roupa de couro, envolto por uma luz azul muito suave, que lhe disse: - Sou o rei de todos os vaqueiros. Sempre desejei confiar meu cavalo mágico a um bom cavaleiro, mas nunca achei um que merecesse.

 

Você, porém, é digno do meu desejo. Siga em frente. Ao anoitecer, encontrará um cavalo avermelhado, que dará três relinchos quando você se aproximar. Pode montar nele, que será seu. Mas tome cuidado: ele não corre, voa. E não aceitará outro cavaleiro, nunca. Só você. Tão logo amanheceu, ele contou o sonho aos companheiros. Todos riram e um lhe disse: - Isso é que é ser vaqueiro. Até dormindo ele pensa em cavalo! Seguiram levando a boiada. O dia transcorreu como os outros.

 

Quando começou a anoitecer, um dos vaqueiros comentou: - Olhem que engraçado, aquele cavalo pastando sozinho. Deve ter fugido. Deodato viu um belo cavalo avermelhado, destacando-se contra a luz do poente. Lembrou-se do sonho. Qual! Era apenas um sonho! Propôs aos amigos. - Vamos ver se a gente pega aquele bicho? Os amigos não concordaram e foram apeando para passar a noite. Estavam cansadíssimos.

 

Deodato não conseguiu livrar-se da idéia e foi a pé na direção do belo animal, que relinchou três vezes. Queria vê-lo mais de perto, apenas. Não levou o laço. Foi-se aproximando, até pôr a mão no cavalo. Este nem mesmo se mexeu. Aí, Deodato teve novamente a mesma visão: apareceu-lhe o velho vaqueiro, envolto por uma suave luz azul, que lhe disse, apontando o cavalo: - É esse, ele é seu.

 

O cavalo acompanhou o moço docilmente. Chegaram onde estavam os outros. Deodato colocou os arreios no animal e montou nele. Os companheiros olhavam, espantados. O cavalo partiu, mas sabem como? Voando! Ele andava no ar! Os vaqueiros pensaram que fosse um sonho! Não podia ser verdade! Daquele dia em diante, Deodato ficou conhecido como o Vaqueiro Voador.

 

Alguns de seus companheiros haviam tentado montar no cavalo mágico, porém ele não saía do lugar. Somente voava se fosse montado por Deodato. Enquanto isto acontecia, a cidade era atacada por um bando de cangaceiros, chefiados por um moço destemido, conhecido por Ventania. E era mesmo um pé de vento: fazia a cidade tremer. Passaram a saqueá-la no mínimo uma vez por semana. Os homens tinham medo de reagir e provocar um tiroteio, que pudesse causar a morte de muitos moradores.

 

Tentaram várias vezes atacar o bando em seu próprio esconderijo, na caatinga, mas as sentinelas não deixavam ninguém se aproximar. Ouviam o tropel dos cavalos e as espingardas falavam. A cidade estava em desespero. O que fazer?

 

Todos estavam preocupados. É verdade que aqueles cangaceiros não disparavam um tiro quando estavam na cidade, mas do jeito que estavam fazendo, logo as lojas e os armazéns estariam vazios! O homem era mesmo uma ventania! Levava tudo! Muito longe dali, o Vaqueiro Voador tocava a boiada pelas caatingas, assombrando os que viam galopar seu cavalo mágico.

 

Seus companheiros não precisavam mais ter preocupação: num instante, ele cercava um boi fugitivo lá longe, noutro instante estava de volta... Quando Deodato voltou à cidade, causou o maior espanto com o seu cavalo. Uns riam, outros choravam; uns corriam, outros não conseguiam correr. Também ali, ele ficou conhecido por Vaqueiro Voador. E não tinha mais sossego. Em toda emergência, ele era chamado.

 

Cabra-cabriola

 

Descrição: Essa é uma espécie de cabra, meio bicho, meio monstro. Sua lenda em Pernambuco, é do fim do século XIX e início do seculo XX. Era uma Bicho que deixava qualquer menino arrepiado só de ouvir falar. Soltava fogo e fumaça pelos olhos, nariz e boca. Atacava quem andasse pelas ruas desertas às sextas a noite. Mas, o pior era que a Cabriola entrava nas casas, pelo telhado ou porta, à procura de meninos malcriados e travessos, e cantava mais ou menos assim, quando ia chegando:

 

Eu sou a Cabra Cabriola Que como meninos aos pares Também comerei a vós Uns carochinhos de nada...

 

As crianças não podiam sair de perto das mães, ao escutarem qualquer ruído estranho perto da casa. Podia ser qualquer outro bicho, ou então a Cabriola, assim era bom não arriscar. Astuta como uma Raposa e fétida como um bode, assim era ela. Em casa de menino obediente, bom para a mãe, que não mijasse na cama e não fosse traquino, a Cabra Cabriola, não passava nem perto.

 

Quando no silêncio da noite, alguma criança chorava, diziam que a Cabriola estava devorando algum malcriado. O melhor nessa hora, era rezar o Padre Nosso e fazer o Sinal da Cruz. Origem Provável: Idade Média na Europa. Na América Central, o Gulén Gulén Bo, é um negro que também assusta e come as crianças mal comportadas, e tem as mesmas características da nossa Cabriola. No Brasil, deriva-se de um mito afro-brasileiro, onde acreditava-se tratar-se de um duende maligno que tomava a forma de uma cabra.

 

Costumava atacar as mães quando estavam amamentando, bebiam seu leite direto nos seus seios, e depois devoravam as crianças. Além de Pernambuco, foram encontradas versões deste mito nos estados do Ceará e Pará. A figura da Cabra Cabriola, também é mencionada na Espanha e Portugal. Possivelmente veio para o Brasil no tempo da colonização, e com a urbanização das cidades, ganhou folêgo. Nomes comuns: Cabra Cabriola, Cabriola, Papão de Meninos, Bicho Papão, etc.

 

Lendas do Rio São Francisco

 

Caboclo-d’Água

 

É um gigante que mora no lugar mais profundo do rio, numa gruta de ouro. Tem a mania de perseguir, sem dó, os barqueiros. Vira as embarcações e também afugenta os peixes, para prejudicar os pescadores. Tem um couro tão duro, que não adianta nada lhe dar tiros: as balas não penetram. Quando os barqueiros se sentem perseguidos, oferecem um pedaço de fumo ao monstro. Ele fica contente e os deixa em paz. Os pescadores costumam pintar uma estrela embaixo do barco, para afugenta-lo.

 

Guarapiru, chefe de uma tribo de índios das margens do Rio São Francisco, gostava de visitar a cidade dos brancos. Divertia-se tanto lá, que decidiu mudar-se em definitivo. Apesar da oposição de sua família, Guarapiru quebrou seu arco e flechas, jogou-os longe e partiu, levando apenas a rede onde dormia. Caminhando junto ao rio, seguiu para a cidade.

 

A noite chegou e, como estava cansado resolveu dormir ali mesmo e entrar na cidade de manhã, pois também não era muito seguro a um índio aparecer numa cidade à noite. Procurou uma árvore onde pudesse colocar a rede, deitou-se e adormeceu, sonhando com a cidade, tão diferente do lugar que deixara.

 

Horas depois, já ao romper do dia, foi acordado por uma voz forte que cantava uma estranha canção. Ficou curioso, levantou-se e foi ver quem estava cantando. Viu um gigante, de pé sobre uma enorme pedra no meio do rio, os braços estirados na direção do sol nascente. Prestando mais atenção, o moço percebeu, sob a água, uma enorme gruta de ouro. Era a casa do gigante. Conhecendo a mania dos brancos pelo ouro, Guarapiru pensou: “Vou guardar bem o lugar. Mais tarde, quando eu fizer amizade com os brancos, organizarei uma expedição e voltarei aqui. Conseguirei uma boa quantidade de ouro e, em troca, serei um chefe entre eles”.

 

Depois de sair dali, com todo o cuidado para não ser visto pelo gigante, retirou a rede e segui para a cidade. Como o índio era muito simpático, não tardou a conseguir vários amigos entre os brancos. O que mais lhe valeu, porém, foi sua habilidade na caça e na guerra. Participou de diversas batalhas e lutou com tanto conhecimento e valentia, que logo foi nomeado oficial dos exércitos reais. Se um de seus irmãos o visse agora, não poderiam reconhecer no oficial bem fardado, cheio de pose e orgulho, o humilde Guarapiru.

 

Concluiu que era chegada a hora de buscar o ouro do gigante e se tornar chefe dos brancos. Já tinha um plano em mente. Tratou, portanto, de organizar uma expedição. Tão logo revelou que sabia onde encontrar ouro em grande quantidade, apareceram tantos interessados em acompanha-lo que ele pôde escolher, à vontade, os que achou mais indicados. Estava em plenos preparativos, quando foi procurado por uma velha índia sua conhecida e que também vivia na cidade. - Ouça o que vou dizer, meu filho, pediu ela. É um aviso e um conselho. Não vá em busca daquele ouro.

 

Ele achou graça: - Por que? Não vá dizer que existe algum feitiço! - Não brinque com isso, prosseguiu a índia. A esta hora, o Caboclo-d’Água já sabe de sua intenção. Se você se aproximar muito de lá, não escapará à morte. Desta vez, ele riu até não agüentar mais. - Que é isso? Então, não sabe quem sou? Não têm conta os combates que participei. Não sei quantos foram os inimigos que tombaram sob meus golpes, primeiro de tacape, depois de espada. Jamais recuei diante do perigo!

 

- Sei que você é valente, disse a índia. Valente contra as feras e contra homens. Mas nunca enfrentou o sobrenatural. Não há quem possa com o Caboclo-d’Água. Ouça o meu conselho: desista dessa idéia. Guarapiru agradeceu e se despediu com um sorriso de superioridade. Na tarde do mesmo dia, a expedição partiu rumo à gruta do gigante, onde chegou ao cair da noite. Acamparam à beira do rio e ficaram esperando o amanhecer.

 

Amanheceu um dia festivo: sol brilhante no céu muito límpido, aves cantando, flores se abrindo. Os homens começaram a se preparar. Nisto, alguém estranhou a ausência do chefe da expedição. Os homens se espalharam pelo lugar, gritando o nome do chefe. Nada. Depois de muita procura, resolveram fazer uma última tentativa, no fundo do rio. Alguns homens mergulharam e encontraram o corpo de Guarapiru sob umas pedras, quase enterrado no lodo do rio. O Caboclo-d’Água apanhara Guarapiru e o arrastara para as profundezas das águas...

 

Mãe-d’Água

 

Espécie de sereia que vive no Rio São Francisco. Para os barqueiros, o rio dorme quando é meia-noite, permanecendo adormecido por dois ou três minutos. Neste momento, o rio pára de correr e as cachoeiras de cair. Os peixes deitam-se no fundo do rio, as cobras perdem o veneno e a Mãe-d’Água vem para fora, procurando uma canoa para ela sentar-se e pentear seus longos cabelos. As pessoas que morreram afogadas saem do fundo das águas e seguem para as estrelas.

 

Os barqueiros que se acham no rio à meia-noite, tomam todo o cuidado para não acordá-lo. Se um barqueiro sente sede, antes de pegar a água do rio, joga nela um pedacinho de madeira. Se ele fica parado, o barqueiro espera, porque não convém acordar o rio: quem o fizer, poderá ser castigado pela Mãe-d’Água, pelo Caboclo-d’Água, pelos peixes, pelas cobras e pelos afogados, que não podem alcançar as estrelas.

 

Um barqueiro muito moço não acreditava em nada do que diziam sobre o rio. Certa vez, ele estava numa venda bebendo com os companheiros, quando a conversa pendeu para tais mistérios. Ele ria de tudo. Ao ouvir, então, que era perigoso despertar o rio à meia-noite, quase se engasgou de tanta risada.

 

- Vocês são todos uns medrosos! Parecem crianças! Como é que uma pessoa sensata pode acreditar nessas coisas? - Acho que não se deve brincar com o que não se conhece! – disse um deles. O moço olhou para os companheiros com ar de superioridade: - Escutem aqui. Não acredito nessas bobagens e não é só conversa, não. Se quiserem apostar comigo, tomo banho no rio à meia-noite, quando ele estiver dormindo. Os outros ficaram horrorizados. Como era possível fazer tal aposta? - Então? – continuou ele. Aceitam ou não aceitam? Já é hora de acabar com essas mentiras! Vamos!

 

Os companheiros reuniram-se numa roda e começaram a cochichar. Após alguns minutos, o mais velho dirigiu-se ao moço, que esperava, com ar zombeteiro: - Nós somos da opinião que você não deve ir procurar tal perigo. Agora, se você insiste, nós aceitamos a aposta. Como o moço insistiu, a aposta foi feita. O dinheiro ficou com o dono da venda e combinaram que o banho seria naquela noite. A notícia correu depressa pelo lugar. Muitas pessoas procuraram o corajoso jovem, pedindo-lhe que desistisse de idéia tão perigosa; mas quem seria capaz de fazê-lo desistir?

 

Conforme o combinado, perto da meia-noite foram todos para o rio. Impressionados pela quietude do lugar, as pessoas mantinham-se quietas e mudas. O próprio desafiante sentia a influência do mistério que havia no ar, pois, estava calado e pensativo. À meia-noite, um dos barqueiros pegou um pequeno pedaço de madeira e o atirou, com cuidado, às águas silenciosas. Todos os olhos estavam fixos no pedaço de pau que flutuava mansamente, sem sair do lugar.

 

- O rio está dormindo! – disse ele, num sussurro. O moço preparou-se para mergulhar, sem dizer uma palavra, já arrependido do compromisso que assumira. Respirou profundamente, como que procurando a coragem perdida. Sabia que não podia esperar mais, sem que seus companheiros percebessem o medo que o dominava. Corajoso, controlou-se e saltou, quebrando o cristal das águas paralisadas e desaparecendo nas profundezas misteriosas. Os barqueiros trocavam olhares de surpresa, pois acreditavam que ele desistiria no último instante.

 

O tempo foi passando e o moço não retornou à superfície. Os barqueiros olhavam com ansiedade o lugar onde ele desaparecera. Quando julgavam confirmado o seu receio, as águas se abriram, deixando surgir a cabeça do corajoso mergulhador. - É ele! – disse um dos barqueiros. - Olhe que é algum afogado enraivecido, porque acordamos o rio! – avisou outro. Era mesmo o rapaz que voltava, não havia dúvidas. Entretanto, ele estava tão diferente, que seus amigos ficaram surpresos.

 

Falaram com ele, gritaram, chamaram. Com o olhar vazio, ele ficou andando pelo barco, de um lado para outro, sem destino certo... De repente, com um salto, atirou-se nas águas do rio. Aconteceu tão depressa que ninguém pôde fazer nada e o moço desapareceu para nunca mais voltar.

 

Minhocão

 

Serpente gigantesca, fluvial e subterrânea, vivendo no rio São Francisco e varando léguas e léguas, por baixo da terra, indo solapar cidades e desmoronar casas, explicando os fenômenos de desnivelamento pela deslocação do corpanzil. Escava grutas nas barrancas, naufraga as barcas, assombra pescadores e viajantes. É a réplica da boiúna, sem as adaptações transformistas em navio iluminado e embarcação de vela, rivalizando com o barco-fantasma europeu. O minhocão é um soberano bestial, dominando pelo pavor e sem seduções de mãe-d’água ou sereia atlântica. Saint-Hilaire registrou o minhocão em Minas Gerais

 

e Goiás, tentando a possível identificação científica fixou o depoimento dos barqueiros do São Francisco, em fins do séc. XIX: “É um bicho enorme, preto, meio peixe, meio serpente, que sobe e desce este rio em horas, perseguindo as pessoas e as embarcações; basta uma rabanada, para mandar ao fundo uma barca como esta nossa. Às vezes toma a forma de um surubim, de um tamanho que nunca se viu; outras, também se diz, vira num pássaro grande, branco, com um pescoço fino e comprido, que nem uma minhoca; e talvez por isso é que se chama o minhocão.”

 

Homem da Meia-Noite

 

Foi criado em 1932, o primeiro personagem do carnaval, e até hoje um dos mais conhecidos em todo Brasil. O Homem da Meia-Noite tem a função de abrir o carnaval olindense. Expressa um sorriso com um dente de ouro, e traja terno verde e cartola. Carrega no braço um relógio que sempre marca o horário da meia-noite, e desfila no sábado de carnaval à noite.

 

Mulher do dia

 

Para acompanhar o solitário Homem da Meia-Noite, criaram a Mulher do dia em 1967. Baseada na Monalisa, possui cabelos negros compridos, sorriso com dente dourado, e traja vestidos em cores amarelas e azul, em homenagem a Iemanjá e Oxum.

 

Menino da Tarde

 

O casamento entre o Homem da Meia Noite e a Mulher do dia, gerou um filho, o Menino da Tarde. Personagem criado em 1974, mesmo sendo criança, já é trajado como adulto.

 

Menina da Tarde

 

Em 1977, nasce mais um na família, e neste caso é uma menina, a Menina da Tarde. Uma boneca muito vaidosa que sempre sai no carnaval com uma roupa nova. Segundo Luís Câmara Cascudo, os primeiros grandes bonecos de festa aqui surgiram no Vale do Paraíba. Foi durante a festa do Bumba-meu-boi.

 

 

E MAIS :

 

Alamoa
Anjo Corredor
Automóvel Encantado
Axuí
Biatatá
Cabeças Vermelhas
Cabra-Cabriola
Capelobo / Cupelobo
Carneiro Encantado
Cotaluna Flor-do-Mato
Gritador
Guajara
João Galafuz
Labatut
Lago Encantado de Grongonzo
Mingusoto
Num-Si-Pode
Ossonhe
Pai-do-Mato

 

Alamoa

 

Duende feminino que aparece na ilha Fernando de Noronha. É uma mulher branca, loura, nua, tentando os pescadores ou caminhantes retardados. Transforma-se num esqueleto, endoidecendo o namorado que a seguiu. Aparece também como uma luz ofuscante, policolor, perseguindo quem foge dela. Sua residência é o Pico, elevação rochosa, de mil pés de altura, absolutamente inacessível. “As sextas-feiras a pedra do Pico se fende e na chamada porta do Pico aparece uma luz.

 

A Alamoa vaga pelas redondezas. A luz atrai sempre as mariposas e os viandantes. Quando um destes se aproxima da porta do Pico, vê uma mulher loura, nua como Eva antes do pecado. Os habitantes de Fernando chamam-na alamoa, corruptela de alemã, porque para eles mulher loura só pode ser alemã...

 

O enamorado viandante entra na porta do Pico, crente de ter entrado num palácio de Venusberg, para fruir as delícias daquele corpo fascinante. Ele, entretanto, é mais infeliz que o cavaleiro Tannhauser. A ninfa dos montes transforma-se numa caveira baudelairiana. Os seus lindos olhos que tinham o lume das estrelas, são dois buracos horripilantes. E a pedra logo se fecha atrás do louco apaixonado. Ele desaparece para sempre.” (Olavo Dantas, Sob o Céu dos Trópicos, 28, Rio de Janeiro, 1938).

 

Anjo Corredor

 

No folclore do Estado das Alagoas, o “Anjo Corredor” é um homem com um cacete ou cajado, que caminha sem parar a vida toda, batendo nas cancelas dos engenhos. As crianças, quando ouvem falar, trepam-se nas cumeeiras das casas, e as mães de família fecham as portas. O Anjo Corredor, como se deduz, age apenas percutindo nas porteiras e o rumor anuncia sua aproximação fantástica.

 

Automóvel Encantado

 

Os choferes profissionais de longas viagens noturnas, transportando cargas do Nordeste para os Estados do Sul e do Centro do Brasil, narram a existência de veículos encantados, aparecendo e desaparecendo misteriosamente, embora denunciados pelas luzes ofuscantes dos faróis ou pela mancha vermelha da lâmpada traseira. Raro será o motorista sem uma estória impressionante nesse gênero. O chofer de praça, nas cidades, dá igual depoimento dos automóveis fantásticos, nas altas horas da madrugada citadina. (Luís da Câmara Cascudo, “Superstições e Estórias de Chofer,” O Estado de S. Paulo, setembro de 1958).

 

O folclore da máquina é tão rico e variado como qualquer dos congêneres. Motores que trabalham espontaneamente, luzes que se acendem sem iniciativa técnica, rumores típicos de mecanismos que estão, quando verificados, absolutamente parados, são estórias vivas em centenas de exemplos nas usinas e parques industriais. Atesta-se, como escreve B. A. Botkin, que “are evidence enough that machinery does not destroy folk-lore.” (Existem evidências suficientes de que as máquinas não destroem o folclore) Bem ao contrário.

 

Axuí

 

Cidade de ouro, no interior do Maranhão. Ruas, palácios, igrejas, imagens, tudo era de ouro puro. Na última década do século XVIII, um escravo de nome Nicolau confessou ao Governador do Maranhão, General Antônio Fernando de Noronha, a existência da Axuí fabulosa. Toda a população da cidade acreditou, e duzentos soldados foram enviados para a conquista da cidade do ouro, pelos campos de Lagarteira e matas do Munim. Nicolau desapareceu e a expedição regressou, trazendo cansaço e decepção.

 

Boitatá

 

É uma superstição da Bahia, forma confusa em que o nome denuncia deturpação do boitatá, a cobra-de-fogo, um dos mais antigos mitos do Brasil, já citado pelo venerável José de Anchieta em1560. Donald Pierson informa: “Dizem que o biatatá é uma mulher que habita o mar, aparecendo sobre a água apenas de noite e aumentando gradualmente de tamanho até adquirir proporções enormes e lançar uma sombra imensa e aterrorizadora.”

 

Os fantasmas que crescem e diminuem são universais, europeus, africanos, asiáticos, etc. O velho mboitatá, boitatá, batatão, não possuía esse vício. Em São Paulo a forma bitatá (Cornélio Pires, Conversas ao Pé do Fogo, 177) evidencia a origem do nome esdrúxulo na aparência mítica do boitatá legítimo. Ver Boitatá, Região Sul.

 

Cabeças Vermelhas

 

No Piauí (Oeiras) crê-se que o cadáver do maçom é arrebatado pelos cabeças vermelhas, que são entes demoníacos. O corpo de um maçom, durante o velório, foi visitado por quatro homens vestidos de azul com gorros vermelhos.

 

Pela manhã, o cadáver havia desaparecido. Um famoso tocador de viola, que fizera pauta com o Cão, ia sendo levado para o cemitério por doze carregadores, quando “dois sujeitinhos de carapuça vermelha” surgiram e “lutaram terrivelmente com os carregadores, em número de doze. E isto deu-se, não obstante vir o corpo coberto de santos.”

 

Cabra-Cabriola

 

Terrível papão para meter medo aos meninos e contê-los nas suas travessuras. Segundo os nossos contos populares, a Cabra-Cabriola é um horrível monstro, de enormes fauces e dentes agudíssimos, a deitar fogo pelos olhos, pelas narinas e pela boca, e que nas suas excursões noturnas, para dar pasto à sua voracidade, astuciosamente, penetra nas habitações e devora quantos meninos encontra. Em um desses contos o monstro fala assim: “Eu sou a Cabra-Cabriola, / Que come meninos aos pares, / também comerei a vós, / Uns carochinhos de nada.”

 

Capelobo / Cupelobo

 

Animal fantástico, de corpo humano e focinho de anta ou de tamanduá, sai à noite para rondar os acampamentos e barracões no interior do Maranhão e Pará, matando cães e gatos recém-nascidos para devorar. Encontrando bicho de porte ou caçador, rasga-lhe a carótida e bebe o sangue. Só pode ser morto com um tiro na região umbilical. É o lobisomem dos índios, dizem. Denuncia-se pelos gritos e tem o pé em forma de garrafa.

 

No rio Xingu, certos indígenas podem-se tornar capelobos, embora ignoramos como se processa a transformação. (Luís da Câmara Cascudo, Geografia dos Mitos Brasileiros, “Ciclo dos Monstros”). S. Fróis Abreu (Na Terra das Palmeiras, 188-189, Rio de Janeiro, 1931): “Acreditam que nas matas do Maranhão, principalmente nas do Pindará, existe um bicho feroz chamado cupelobo... Um índio timbira andando nas matas do Pindará chegara a ver um desses animais que dão gritos medonhos e deixam um rastro redondo, como fundo de garrafa.

 

O misterioso animal tem corpo de homem coberto de longos pêlos; a cabeça é igual à do tamanduá-bandeira e o casco com fundo de garrafa. Quando encontra um ser humano, abraça-o, trepana o crânio na região mais alta, introduz a ponta do focinho no orifício e sorve toda a massa cefálica: “Supa o miolo”, disse o índio.” Ver Bolaro, Região Norte.

 

Carneiro Encantado

 

No lugar Passagem de S. Antônio, Maranhão, fronteira com o Piauí, margens do rio Parnaíba, os viajantes vêem um carneiro gigantesco, com uma estrela resplandecente na testa. Às vezes o brilho parece extinguir-se e bruscamente se aviva, com uma luminosidade deslumbrante.

 

Dizem que, há muito tempo, os ladrões assassinaram nesse lugar um monge missionário que voltava trazendo esmolas para o convento. Mataram e roubaram o frade. Terminado o crime, foram tocados pelo remorso e, cheios de arrependimento, sepultaram o cadáver, enterrando as esmolas, inclusive o ouro, perto do corpo. Vez por outra o monge aparece, durante a noite, transformado no grande carneiro branco e tendo na testa a estrela radiante que é o símbolo da riqueza enterrada.

 

Ocorre no Piauí um mito idêntico com o nome de Carneiro de Ouro:

 

“Conta-se que se dá em Campo Maior, na serra de S. Antônio, a aparição de um enorme carneiro de ouro, que se tem apresentado a algumas pessoas de dia, e a outras que o vêem à noite, de longe, da vila, todo vestido de luz. Dizem que ele berra junto a uma enorme corrente de ferro, como que indicando que naquele lugar existem grandes riquezas e grandes encantos. Mas, como uma só pessoa ou mesmo duas e três não possam levar para sua casa aquele enorme achado precioso, volvem à vila e reúnem povo para o buscar o velocino.

 

Em chegando, porém, ao lugar, desaparecem o carneiro e a corrente. Isto ouvi contar, em 1884, por uma velha de mais de 80 anos, antiga moradora em Campo Maior e que afirma ter visto de longe o carneiro de ouro com sua estrela de brilhantes na testa.” (Leônidas Sá, Folclore Piauiense, “Litericultura,” IV, 126, Teresina, 1913).

 

Cotaluna

 

É o fantasma do rio Gramame, em João Pessoa, Paraíba. Pelo inverno é uma sereia, meio mulher, meio peixe, sem cantar, mas arrebatando os descuidados banhistas e mutilando-os, como o velho Ipupiara do séc. XVI. “Há quem fale até na sua antropofagia”, escreveu Ademar Vidal, revelador desse peixe tropical. Seu aparecimento, mulher branca, cabelos negros, olhos sedutores, pintam a sereia, a ondina, a Mãe-d’Água, emigrada de terras distantes e aqui amalgamada com o bruto Ipupiara, devorador de afogados. Mulher bonita, com a extremidade ictiforme, diz evidentemente a origem velha do nascimento.

 

A fórmula de seduzir não está claramente fixada. Cantando? Falando? Agarrando? Certo é que não há o elemento sexual, porque a Cotaluna invernal espalha indizível terror. Durante os meses de estio Cotaluna é uma ondina, mulher inteira, atraente, empolgadora, sensual, com aparições raras no dorso da água clara e fina do Gramame. Não promete riquezas nem possui palácios fluviais. Seu encanto é imediato, físico, como o da Alamoa da ilha de Fernando de Noronha. Embriaga os sentidos e o desejo da posse explica a loucura que fere seus namorados.

 

Interessantemente, há quem volte dos braços frios dessa Morgana paraibana. Há quem tenha vivido amorosamente com a Cotaluna e depois voltado. Volta sem memória e sem vontade. Deixou a própria alma nos lábios da nixe nordestina. A Cotaluna do verão, mito sexual, guarda muitos dos vestígios africanos, mas tamanha é a influência da sereia mediterrânea, que a pele branca e as feições permanecem da raça colonizadora. Também outrora, na Alemanha, quem ouvira a Iara ficara desnorteado até lançar-se ao rio para segui-la. A Cotaluna cede. Mas seu preço é a inteira vida mental do namorado.

 

Flor-do-Mato

 

Um dos nomes do Caipora-fêmea no folclore da Paraíba. Tem os mesmos atributos de guiar a caça e gostar de fumo. “Só favorece ao pobre caçador, quando por sua vez se vê beneficiada em alguma coisa. Não o sendo, fica sumítica, irada, e se vinga escondendo a caça, afugentando-a para longe, gostando de brincar, debicando ou fazendo com que o homem se canse e nada consiga.

 

Depois assobia, vaiando. Chega até a dar boas e gostosas gargalhadas de deboche... Para fazê-la mansa, para fazer flor (boa e ajudando gente), é necessário levar no bornal uma lembrança, que se bota num pé de pau e ela vai buscar. E como sei que Flor-do-Mato gosta muito de fumo mapinguinho, o fumo é sempre o que eu levo. Esse mito da mata se apresenta como se fora uma menina de doze anos, toda simpatia, com os cabelos louros e estirados, aparecendo mais comumente nos tabuleiros, quando sai dos seus domínios à procura de mangabas e ameixas adstringentes.

 

É sempre vista pelos caçadores. Em geral estes votam-lhe grande admiração e respeito. As exceções constituem aqueles que se utilizam de pimenta. É coisa que aborrece Flor-do-Mato. Mas ela sabe vingar-se.

 

Gritador

 

Duende do vale de São Francisco. “O Gritador é também conhecido como “Zé-Capiongo”, e vive gritando dentro da noite. Contam que ele é a alma de um vaqueiro que, desrespeitando a Sexta-Feira da Paixão, saiu a campear e nunca mais voltou. Sumiu misteriosamente com o cavalo, o cachorro e a rês que campeava. Virou assombração.

 

Hoje vive gritando no mato, aboiando uma boiada invisível como ele. É o Gritador. Embora os seus gritos sejam mais ouvidos durante a noite, o Gritador não tem hora para gritar. Dizem que até ao meio-dia ele clama no meio do mato, assombrando os vivos, assustando os bichos. Nas noites de sexta-feira, além do seu abolo triste, são ouvidos o rumor dos cascos do seu cavalo e o ladrar do seu cachorro. Ver Bradador, Região Sudeste.

 

Guajara

 

Duende de Almofala, município de Acaraú, Ceará. Manifesta-se nas noites de inverno, raras vezes nos dias de verão, imitando vozes de animais, ruídos de caçador, pescador, colhedor de mel de abelhas, fingindo cortar árvores, assombrando os viajantes que passam perto do seu mangue e mesmo surgindo, como um pato, nas residências próximas, perturbando a tranqüilidade normal.

 

A tradição comum fá-lo invisível, determinando o pavor pela diversidade da simulação. Açoita os cães, que podem sucumbir depois do suplício. Grita, acompanha o viandante. Chamam-no também Guari e Pajé do Rio.

 

João Galafuz

 

Nome com que a superstição popular designa uma espécie de duende, que diz aparecer em certas noites, emergindo das ondas ou surgindo dos cabeços de pedras submersas, como um facho luminoso e multicor, prenúncio de tempestade e naufrágios; crença essa dominante entre os pescadores e homens do mar do norte do Estado de Pernambuco, e principalmente de Itamaracá, dizendo-se que esse duende marinho é a alma penada de um caboclo, que morreu pagão, acaso conhecido por João Galafuz. A superstição tem curso também em outros Estados, nomeadamente em Sergipe, com o nome de Jean de la Foice.

 

Labatut

 

É um monstro com forma humana, antropófago, vivendo na região de fronteira do Ceará com Rio Grande do Norte, especialmente no chapadão do Apodi. “Labatut é um bicho pior que o lobisomem, pior que a burrinha e pior que a caipora e mais terrível que o cão coxo. Ele mora, como dizem os velhos, no fim do mundo, e todas as noites percorre as cidades, para saciar a fome, porque ele vive eternamente esfaimado.

 

Anda a pé: os pés são redondos, as mãos compridas, os cabelos longos e assanhados, corpo cabeludo, como o porco-espinho, só tem um olho na testa, como os cíclopes da fábula, e os dentes são como as presas do elefante. Ele gosta mais dos meninos, porque são menos duro que os adultos. Ao sair da lua, ele, que anda ligeiro, entrará pelas ruas, num trote estugado, parando às portas, para ouvir quem fala, quem canta, quem assobia e quem ressona alto e... trás! Devorar!... Os cães dão sinal, latindo-lhe atrás!”

 

O nome do monstro é uma reminiscência das violências e brutalidades do General Pedro Labatut, que esteve no Ceará, de junho de 1832 a abril de 1833, reprimindo a insurreição de Joaquim Pinto Madeira, que se rendeu, com 1690 homens em armas.

 

Labatut, oficial do Imperador Napoleão, companheiro de Simão Bolívar, arrebatado, atrabiliário, valente, faleceu marechal-de-campo do Exército Brasileiro, em 24 de setembro de 1849, na Bahia. A forma monstruosa é comum na espécie fantástica, atuando sob o nome de Labatut apenas na região citada.

 

Lago Encantado de Grongonzo

 

O morro do Grongonzo fica no município de São Bento, Pernambuco, a sudoeste da sede municipal. É um morro arredondado. A lenda diz ali encontrar-se, às vezes, um grande lago, que desaparece depois, sem deixar vestígios. Quem o viu, não verá duas vezes. Não é possível a mesma pessoa vê-lo duas vezes na vida. Há no lago encantado de Grongonzo grandes riquezas escondidas, tesouros ocultos, cabedais fabulosos.

 

Mingusoto

 

No folclore da Paraíba é um fantasma aterrador, habitando a capital do Estado. Mingusoto é informe e aterrador. É uma espécie crescida do alma-de-gato, que amedronta as crianças. Mingusoto, infixo, desmarcado em sua influência, é infinito nas manifestações que o pavor multiplica. Dizem-no senhor dos elementos, águas vivas dos rios, águas mortas das lagoas e barreiros. Mas já está com os elementos europeus deturpadores. Fantasma poderoso, que domina os lençóis subterrâneos, gemendo no silêncio das noites, dá-se ao sestro de abrir as igrejas, organizando mudas, enormes e lentas procissões noturnas, que se desenrolam com o cerimonial terrível das aparições coletivas, populares na Idade Média. Essas procissões, que surgem e desaparecem, com suas bandeiras, pálios, irmandades coguladas, fiéis, confundindo-se na treva, vêm da Europa, e não há figura legendária que não as tenha visto Sevilha, Roma ou Heidelnerg. O doutor Fausto, Dom Juan e o violinista Paganini deram depoimentos.

 

Mingusoto, além desses hábitos de assombração cristã e litúrgica, materializa-se no leão de bronze ou no galo de ferro, que coroam as torres de São Bento e de São Francisco em João Pessoa, igrejas apontadas como residenciais. Também o descrevem vivendo nas praias da Camboinha ou de Tambau. Curiosamente, o abantesma ainda não escolheu corpo definitivo para visitas sistemáticas. “Interessante que não se conhece a sua forma exata de gente. Nem mesmo se desconfia dela. Pelo nome é que se conclui parecer mais de homem que de mulher. Domina as matas, o mar e os rios. “É dono dos elementos”, informa Ademar Vidal. Mas não há registro de atividade característica do Mingusoto. “Nada exige, mas amedronta.” É um medo com as prerrogativas clássicas da indecisão antropomórfica, com vasto prestígio indeterminado.” (Geografia dos Mitos Brasileiros, 442-443). Em Portugal, o medo ou miedo aparece como um “home alto, bestido de branco,” como Leite de Vasconcelos registrou em Miranda.

 

Num-Si-Pode

 

“Não-se-Pode” é um fantasma que aparece na praça da Igreja de N. S. das Dores, em Teresina, Piauí. Mulher de talhe desmesurado, com alvíssima mortalha, surge nas noites e madrugadas, determinando um pavor irresistível. Não se pode afrontar aquele assombro, espalhador de um medo indizivel (informação de Vítor Gonçalves Neto, Teresina, Piauí). Registrou-a em versos o Sr. João Terry (Chapada do Corisco, 28-29, Teresina, 1952). Ver Cresce e Míngua, Região Sudeste.

 

Ossonhe

 

É um orixá que corresponde ao Caipora indígena, unipedal, zombeteiro. Manuel Querino escreveu (Costumes Africanos no Brasil, 48): “Ossonhe é um outro orixá e corresponde ao Caipora, que só tem uma perna. O africano nutre a mesma crença do indígena, neste particular. “O Caapora, vulgarmente Caipora, veste as feições de um índio, anão de estatura, com as armas proporcionais ao seu tamanho, habita o tronco das árvores carcomidas, para onde atrai os meninos que encontra desgarrados nas florestas. Outras vezes divagam sobre um tapir ou governam uma vara de infinitos caititus, cavalgando o maior deles. Os vaga-lumes são os seus batedores; é tão forte o seu condão que o índio que por desgraça o avistasse era mal sucedido em todos os seus passos. Daqui vem chamar-se caipora ao homem a quem tudo sai ao revés” (Gonçalves Dias, Obras Póstumas, vol. VI, 130. Jacques Raimundo (O Negro Brasileiro, 158-159) grafa Oçonhe: “O gênio da mata que transmite a infelicidade de quem o vê.”

 

Querino (Raça Africana) é quem alude primeiro ao orixá, dando a entender que, adotando o mito do Caipora, o Caipoi na gíria do negro. (Artur Ramos, Negro Brasileiro, 124), o afro-baiano supersticiosamente crê que o espírito da floresta é portador de má morte; chama-lhe Ossonhe, que deve ser uma falsa audição de Oxonhe ou Oxonhê. O verdadeiro nome do gênio é Eberê; os iorubanos conhecem o mito, o egbére, o gênio maléfico, espécie de anãozinho que vaga à noite nas matas. Oçonhe, ou antes Oxonhe, um nome complementar, preferido dos afro-baianos do iorubano, óshónu, iyé, o enfermo ou aleijado da vida. Ver Caapora / Caipora, Região Norte.

 

Pai-do-Mato

 

Nas tradições folclóricas de Alagoas, o pai-do-mato é um bicho enorme, mais alto que todos os paus da mata, cabelos enormes, unhas de 10 metros, orelhas de cavaco. O urro dele estronda em toda a mata. À noite, quem passa na mata ouve também a sua risada. Engole gente. Bala e faca não o matam, é trabalho perdido. Só se acertar numa roda que ele tem em volta do umbigo. Em alguns “reisados”, aparece uma figura representando o entremeio do pai-do-mato, sob a forma de um sujeito feio, de cabelos grandes. É comum a expressão entre as mães de família, a propósito dos filhos que estão com cabelos grandes, sem cortar: “Está que é um pai-do-mato.” “Você que é um pai-do-mato.” “Você quer virar pai-do-mato, menino?” No “reisado” canta-se no entremeio do pai-do-mato: “Ó que bicho, / Só é pai-do-mato!...” (informação de Téo Brandão, Maceió, Alagoas). Com denominação idêntica e materialização, vive o pai-do-mato em Pernambuco, informa o poeta Ascenso Ferreira. Roquete Pinto emprega o pai-do-mato na tradução que faz de um “ualalocê” dos índios parecis (em Rondônia, 84, Arquivos do Museu Nacional, XX, Rio de Janeiro, 1917).

 

Compare-se o pai-do-mato com o Ganhambora, o Mapinguari, o bicho Homem, espécies do ciclo dos monstros (Geografia dos Mitos Brasileiros, 455). “Sem que jamais tivesse sido visto, conta a lenda queijeira da zona de Anicuns que o pai-do-mato é um animal de pés de cabrito, à semelhança do deus Pã da mitologia, tendo como este o corpo todo piloso. As mãos assemelham-se às dos quadrúmanos. Diferencia destes, entretanto, por andar como ente humano, com o qual se assemelha na fisionomia. Traz no queixo uma irritante barbinha à Mefistófeles, e a sua cor é escuro-fusca, confundindo-se com a do pelo do suíno preto enlameado. Dizem que anda quase sempre nos bandos de queixadas, cavalgando a maior, e conservando-se sempre à retaguarda. Raramente anda só e raramente aparece ao homem. Quando alguém se lhe atravessa na estrada, não retrocede, e, com indômita coragem, procura dar cabo do obstáculo que se lhe antepõe. É corrente, onde ele tem o seu “habitar”, que arma branca não lhe entra na pele, por mais afiada e pontiaguda que seja, salvante no umbigo, que é nele instantaneamente mortal... A urina dele é azul como anil.” (Derval de Castro, Páginas do meu Sertão, 70-71, São Paulo, 1930). O autor estuda o sertão de Goiás.

 

 


 

 

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